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Entre cardigãs e bolivianos escravizados

Entre cardigãs e bolivianos escravizados

Na semana passada, a marca de “fast fashion” a espanhola Zara foi protagonista de um escândalo. Equipes de fiscalização trabalhistas flagraram em São Paulo oficinas que produziam as peças vendidas na marca, trabalhadores estrangeiros submetidos a condições quase que escravistas. A empresa se encontrava sob investigações da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) desde maio, quando na cidade de Campinas foram encontrados trabalhadores de oficina de costura em condições degradantes, a mesma também costurava calças para a Zara e em junho foi iniciada as investigações na capital. As vítimas aliciadas na Bolívia e Peru, com a promessa de emprego e crescimento no Brasil. Chegando ao país, eram submetidos há mais de 16 horas de trabalho em oficinas improvisadas, sem ventilação e recebendo entre R$250 à R$450, menos que um salário mínimo. Sendo que era deduzido de seus salários custos da viagem e alguns vales que se tornariam bolas de neve. Alguns destes trabalhadores são menores de idade. Contratações completamente ilegais, trabalho infantil e cerceamento de liberdade.

A Inditex grupo dono da Zara e outras empresas, responsabiliza sua maior fornecedora a AHA à contratação das oficinas. O desenvolvimento do produto é feito sob aprovação da matriz da Zara na Espanha, a intermediária (AHA) terceiriza os serviços de oficina, recolhi as peças, encaminha a lavanderia (também terceirizada) e depois de embaladas as peças são entregues a Zara.

A empresa intermediária AHA, declara prestar serviços a outras empresas e que repudia qualquer tipo de escravidão humana. Porém após a ação a conta das rescisões que totalizam mais de R$140mil foi paga pela mesma (AHA), a situação dos trabalhadores e as contribuições previdenciárias antes sonegadas, foram regularizadas.  Seria agora um ato de caridade para provar seu repúdio?

Para entendermos a margem de lucro, em uma das oficinas no momento da fiscalização era finalizada uma blusa da coleção primavera/verão. Em cada peça feita, a oficina recebia R$ 7. Os costureiros recebiam, em média R$ 2 por peça costurada. Após a ação,  uma equipe de reportagem foi até uma loja da Zara, e encontrou uma blusa semelhante, fabricada “originalmente” na Espanha, sendo vendida por R$ 139. Só não temos informações do valor que a intermediaria repassa essas peças à  Zara.

Ouvi muitas pessoas alegarem que as redes de “fast fashion” incitavam esse tipo de exploração para conseguir produzir roupas a baixo custo, detalhe, a Zara no Brasil é a mais cara do mundo. Sinceramente eu não tinha conhecimento de que a produção era realizada no Brasil, vide valor final das peças, que se justificava agregando a custos de importação. Com essa  informação que o produto é produzido por aqui,  vamos pensar no plausível e se acreditar que a empresa esteja de certa forma colaborando socialmente, gerando empregos.  Pós flagrantes a verdade é que ela está  sonegando impostos, trazendo imigrantes “hermanos” ilegalmente, escravizando, explorando crianças e vendendo uma blusinha que nos E.U.A você compra por US$8 à R$69,90, é uma piada.  Não existe missão empresarial e declaração de repudio que venha isentar a responsabilidade de qualquer uma das empresas  seja a Zara que “não sabia ” sobre a tercerização dos serviços ou  da fornecedora AHA que contrata oficinas e “desconhece” a ilegalidade da mesma.

Como consumidora não tenho remorso em continuar usando as peças que já comprei na Zara, como li em post´s pelo facebook de pessoas arrasadas, querendo cortar os pulsos . Mas quero obter maiores informações de como a peça “must to have” da estação chega até as vitrines. Quero que o meu ato de consumo, mais do que ser um “plus” aliviante da minha TPM,  sirva para ativar a economia gerando empregos e não alimentar o círculo vicioso do capitalismo, com seu abismo da desigualdade social, o consumo tem que ser inteligente.

E o produto de 2009 é…

E o produto de 2009 é…

Já havia comentado aqui que o coletor menstrual tinha sido a melhor aquisição que havia feito. Dica da Mariazinha! E foi com certeza o produto mais interessante que adquiri em 2009.

Trata-se de um copinho minúsculo. O que uso é o inglês Mooncup. De uso interno, o copinho recolhe o fluxo menstrual antes de entrar em contato com o ar. Parece algo de outro mundo, talvez porque estejamos tão acostumadas com os absorventes tradicionais. Mas seguindo o manual de instruções o copinho é a melhor opção para os dias da menstruação. Desde que o possuo nunca mais usei absorventes.

As vantagens:
- Meu ciclo não é regrado. E como nunca sabia exatamente quando iria menstruar acontecia de não ter absorvente em casa no momento certo. Agora carrego o mooncup comigo o tempo todo.
- Diferente de um absorvente interno, é possível utilizá-lo antes mesmo do ciclo iniciar. Não causa secura ou nenhum outro desconforto.
- Posso praticar esportes, ir à piscina ou usar qualquer tipo de roupa sem notar a presença do copinho. Sem nenhum incômodo, às vezes até esqueço que estou usando!
- Tenho mais controle do meu ciclo, sei aproximadamente quantos milimetros por dia eu menstruo. Sei que posso ficar um dia inteiro com o coletor sem precisar ‘descarregá-lo’.
- Durante todos esses meses não gastei sequer um centavo com absorventes, sejam eles internos ou externos.
- Economia também do meio ambiente. Consumi menos e não gerei uma montanha de lixo de absorventes.

Esse post é também um ‘meme’ para as demais desregradas; Qual o produto, objeto ou qualquer outra coisa que foi a mais interessante descoberta de 2009 para você?