O amor pode ser algo aleatório, transitório ou um verbo intransitivo. O meu amor, na verdade são “meus amores”, alguns compartilhados outros ficcionados em minha mente meus delírios, mas, nunca desmerecidos, porque o amor pode ser inventado ou experimentado a dois, sempre será amor. Eu já te amei, sabia?
Sonhava muito com esse menino, ficava perdida neste já tinha sido, mas, não foi na verdade. E voltamos a sonhar. Digo “voltamos”, era assim que ele me dizia, me lembrava, me queria, me sentia sem me tocar. Ele estava longe e me convidava… Fui para perto carregando nas mãos todos os delírios que ele havia me proposto, mas, não era bem isso.
Por horas acreditei. Por minutos longos o desejo entre nós dois era tão latente a ponto de me fazer sorrir dizendo a ele que isso não era comum, era prazer.
Aos poucos o que era real, foi me esbofeteando e o tempo tornou-se curto para nós, não cabia…
Diga-me meu bem, o que era?
NADA! Era só o nada
Mostrou-se bonito e veio falar comigo. Lembranças, desencontros, afinidades. O anacronismo nos pegou e um dia batemos a porta e estávamos ambos ali. Confesso que também não sabia se sim ou se não. Até que “Meant To Be”… Essa canção foicrucial, quase um aviso! Suspeitamos de um complô. Até que algo muito ruim brotou aqui dentro e transbordei. Sorry, queimadura de terceiro grau e o “meant to be” desafinou. Ficamos amigos. Evitando, sim. A princípio era raiva, mas, depois se tornou vergonha mesmo.
Diga-me, baby, o que nos aconteceu?
NÃO SABEMOS, não sabemos de nada e nada virou.
Ele me pediu em casamento.
Diariamente eu o amava, a cada minuto ele se tornava o ideal. Quando ele veio até mim e vomitou todos os seus problemas foi assustador, mas, a sinceridade com uma dose de – Quer? Sou assim! Me fez experimentar. Tínhamos muitos elos, Mutarelli, música, tesão. Éramos um do outro e assim caminhávamos pela augusta, no cinema, no jazz, no boteco, na cidade, na lua, em qualquer lugar. Toda noite jurávamos que seria para sempre, eu e você, nós dois. Até que nos perdemos, e estávamos perdidos e condenados.
Não nos reconhecemos, foi um susto.
Diga-me você, lindo! O que aconteceu?
Loucura ou cura dela. Estávamos loucos e quando veio à sobriedade não existia mais aquela “nossa” realidade, somente o nada ficou…
A cada conversa e encontro, ele, O AMIGO, estava mais próximo. Ele era como um encaixe perfeito em minha vida, ele o amigo. E assim foi por um longo tempo, o melhor AMIGO. Os amigos se querem ás vezes, acontece. E aconteceu e se repetiu, e o AMIGO passou a ocupar um espaço especial no cotidiano, nos pensamentos, na vida. Eu não sabia qual passo dar, e ele isentou-se. Até que não deu e ele partiu para Paris, me esqueceu? talvez…
Diga-me, querido, o que aconteceu?
Era para acontecer, mas, se debandou, tiramos férias sem saber se queríamos e nada aconteceu.
Eu o procurei sem o conhecer, eu o quis em suor em tremedeira e perna bamba, igualzinho a uma guriazinha e o encontro foi nostálgico. Ele era simplesmente o que eu queria aos quinze anos. Eu me apaixonaria por ele também nesta época. Assim fugaz, de uma hora para outra. Parecia um raio de sol e projetei por duas semanas, uma vida de parque, amor e folk. Ele me disse que gostava de mistérios, mas notei que gostava mesmo era da palavra “sutileza”, a usou várias vezes, pensava: que bonitinho!
Ao ver-me havia uma hesitação estranha, mas, entre Woody Allen e fincas, já me sentia próxima. Acho que inventei tudo isso, por que sem mais nada a dizer, não era mais…
Um estranhamento incômodo ao nos encontrarmos sem previsão, vontade de sair correndo e sutilmente não era possível ser.
Baby, Diga-me, o que aconteceu?
Não aconteceu. Eu te inventei, você não existe e nunca existiu! Será um espectro que vez ou outra, vamos nos cruzar nos reconhecer e só, nada mais!
Disse que veio me ver, mesmo duvidando a idéia me deixou bem feliz. Tínhamos algo interessante beirando ao especial, ele vinha com ofertas de jazz, vinho, amor e lindos olhos claros… Tentador.
Pena que houve um desvio anterior à promessa e isso me perturbou. Estava em impedimento não conseguia degustar o vinho, conhecer novos jazz´s e sentir seus lábios direito. Ressaca moral, amoral!
Eu só precisava de um tempo, colocar a cabeça em ordem, mas, ele veio como um tornado e nada restou.
Não consegui dizer o que aconteceu, baby! E ficamos sem nada, ambos.
Quando ele me via com meu namoradinho, queria ter isso também, assim ele me disse quando começamos nossa estória. Eu sendo muito guria o intimei: estamos namorando ou o quê? E ele sorriu com a deliciosa boca carnuda: sempre quis te namorar. A boca mais fetiche do mundo, que me enlouqueceu por longos anos. Todas às vezes, que surtava e nos separávamos, sentia falta daqueles lábios e voltava a sua busca. Numa das milhares de discussões que tivemos, percebi que só a idéia de perdê-lo me dava vontade de morrer e ele me convenceu que isso era amor, puro e genuíno…
Dado momento que o moço enigmático era parte minha… Fomos UNO! Uno in conflito!
Nosso amor foi prematuro, não estávamos preparados para ele. Mas, persistimos.
Depois de duvidar da minha própria sanidade mental, o ouvia gritando “Psico killers” e piscava para ele, cúmplices! Mestre das intensidades, sim ele me ensinou. Colocou o dedo na ferida e girou! Era um misto de dor e prazer, éramos sádicos!
Vez ou outra me surpreendo divagando sobre outros caminhos, se tivéssemos feito diferente o que seria agora? Será que o que diz a música do “Squirrel Nut Zippers” sobre o destino, é certo? A única certeza que tenho é que foi válido, por um bom tempo.
Ele nunca me dava flores, dizia que era como planejar a morte. Não queria me dar nada morto, murcho… Um dia me presenteou com sementes e elas crescem até hoje no meu jardim.
Para você, meu amor, diga-me, restou alguma pétala?
Queria ter a chance de fazer direito. Nada mais…
Libertador, assim que seu sorriso me soou de cara… A cada espera, a cada encontro, a cada verso. Nosso amor foi tão livre de neuras, tão puro, tão verdadeiro. Talvez minha primeira entrega… O menino que me fazia lindas poesias e me inspirava diariamente, eu era sua “deusa flor” fresca orvalhada…
O prazo de validade venceu, mas o carinho não é perecível. Ele disse que eu sempre seria sua menina e é verdade eu acredito nisso!
Fragmentos de estórias são pertinentes? Bem provável que eu venha amar somente a elas, pedaços e fragmentos o que restou de minha vontade de sentir …
Ás vezes, uma única vez, me lembra. Ele me lembra -caipirinha de carambola – ressaca no dia seguinte – vontade de praia- filme não assistido- Vanilla Café é um bar gay? – tesão descomunal- casa do mancha-melhor sexo depois do maior amor do mundo – docinho, doce a vida é doce - janela- polêmicas matinais- poesia concreta de vagabundo – cinzeiro na testa – japonismo, colchão, augusta – vinho no telhado, boca vermelha de batom- Rec- Cohen- junina, cinema, filha da putagem – festa, mutantes, lapa- Copa, escondidinho, Sérgio Sampaio- conta de telefone alta – interurbano – Bertioga- Radiohead, chuva, trânsito- clube da esquina- pão de queijo- primeiro fora- escada rolante- sushi, carnaval, jazz- rede – Batman- crepe- palitinho erótico- sexo na praia – Ele me lembra- ilha bela – baila comigo? – vodka com energético –sexo no carro – MASP – pessoas seminuas na rua – bar do Zé- iglu- wtill wtill wtill- hypismo- novos bahianos- dores de amores- doce no canto do morro- sexo na barraca- Brecht – ele lembra… Lembranças de (ELE)
wow! haja coração!
fragmentou depois de tudo isso…rs