Desde que me mudei para a Ásia que tenho sido confrontada com novas formas de relacionamento entre casais, baseadas em outros valores (defendidos por uns como menos hipócritas do que as Ocidentais).
A conversa surgiu na sequência de uma discussão em como os ocidentais do Norte a Europa, chegam ao limiar dos trinta anos (e diga-se de passagem são aqueles que a beleza natural não foi muito generosa), vão passar umas férias à Tailândia e… voilá descobrem o Amor! Comentava-se o facto de, num reality show chinês, daqueles em que ajudam a encontrar o Amor, a rapariguita, quando teve de escolher entre os finalistas candidatos a Príncipe Encantado, escolheu um chinês quando tinha a opção de um loirito (atenção que aqui ser loiro e branco ainda é uma “qualidade”, tal como inteligente, sentido de humor, etc), deu a seguinte resposta: “I’d rather cry in Rolls-Royce than laugh on a bicycle”.
A minha opinião foi “isto mais não é do que ser interesseira. Não há amor.” Um Canadiano defenfeu que estava a partir do pressuposto errado, pois estava a utilizar a definição “Ocidental” de Amor. Eu argumentei que não. Que achava que era puro interesse. No entanto, que poderia ser a base de qualquer casamento. Sem que houvesse qualquer julgamento de valor. Como qualquer contrato (casamento, pela sua natureza é um contrato) pode ser sustentado tendo variadíssimas bases (sendo que ambas as partes estejam de acordo), sejam eles o Amor, cartão de crédito, interesse, possibilidade de constituir família, entre outras. Se outras que não sejam o Amor funcionam para mim? Não. Mas poderão funcionar para outros. Claro que sim! Não lhe chamem é Amor!
A conversa evoluiu para um caso de um casal, ele Americano ela (se não me falha a memória) vietnamita. Ele dizia que somente ao fim de cinco anos de relacionamento tiveram a primeira discussão. E mesmo assim, comparado com a ex namorada italiana tinha sido uma pequena discussãozinha. A minha opinião: tudo depende da expectativa que se tem de uma relação. Se a base é a fuga à miséria, ou se a calma conjugal é “comprada” (seja com comida na mesa ou malas Louis Vuitton) não se pode exigir uma relação de igual para igual.
Posso dizer que tenho tido (muito mais que o que gostaria) discussões desta natureza, especialmente quando oiço “ele nunca irá encontrar uma mulher para casar, nem sequer tem casa ou carro” – o que me dá voltas ao estômago e, também que tenho questionado até que ponto o facto da não-emancipação da mulher Asiática (por opção) não as torna bonequinhas mimadas ao invés do que até agora julgava ser o caso de toda e qualquer mulher, vítima de séculos de discriminação e ter de lutar a pulso para ser tratada como igual.
Enfim, um tema a que voltarei com certeza, pois é algo que me tem mantido o pensamento ocupado.
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Sabe… esse tema também me toca… estive na África e percebi que embora tivesse curtido um guri não tive coragem de ficar com ele. E porque? Porque o guri em questão é muito pobre e tive medo de que ele estivesse apenas querendo uma boa vida em outro continente. E, por outro lado, tinha uma certa resistência da minha parte, imaginando que tinhamos culturas muito diferentes… e aí me perguntei… ei, mas você não imigrou por amor uma vez pra Holanda? E porque não imigrar por amor para Guiné… enfim… tema muitissimo interessante… escreva mais!
uma coisa é fato se já é dificil entender homens que tenham a mesma cultura, imagina tão díspares? Escreva mais mesmo!!!
Sim, mas tambem as mulheres… Quando vejo coisas aberrantes na rua pergunto-me quem e a ‘esperta’? Se nos (que trazemos $ para casa, somos socialmente responsaveis – o que por vez carrega gosto amargo e mts vezes ainda temos todos (ou quase todas… por a mesa nao conta) afazeres domesticos, ou elas, dondocas que fazem birras no meio da rua, ainda sao do tempo em que amuar da resultado e eles… olha la… pianinho, pianinho