Já dizia Rita Lee. Doida, porra louca. Anos e anos de rock’n'roll correndo nas veias. Quem imagina essa mulher debaixo de véu e grinalda subindo no altar? Rita Lee, é verdade, toda mulher é meio Leila Diniz mas é hipocrisia negar que são as que tendem mais pra Amélia que chegam lá, exibindo e balançando o troféu, de pé, do pódio. Papel passado e aliança no dedo. Mulheres rock’n'roll são distantes. Os homens se sentem atraídos por elas mas é bem verdade que há um pouco de medo. Criou-se então um grupo de mulheres, as exceções. A chance de uma ‘exceção’ se dar bem é diretamente proporcional ao tamanho de massa cefálica que o homem venha a ter. Ser exceção está diretamente ligado a ter o triplo de problema para achar o que chamam por aí de “alma gêmea”. E sou tão por fora do giro universal que nem em alma gêmea acredito. Ser exceção dá medo em nós, mulheres. Dá medo de ser obrigada a passar o resto dos tempos tricotando junto da tia. Claro que dá. Quer papo mais de mulherzinha do que esse? Isso não existe. É senso nacional. Melhor ainda, universal. Não há uma mulher nesse mundo chamado Terra sobre o qual estão os nossos pézinhos que não pense na palavra proibida. Casamento. Nem as mais independentes, nem as mais sonhadoras, nem as “exceções”. As exceções só estão ali, inteligentíssimas e bem sucedidas porque estão desesperadas por amor. As músicas que elas ouvem, os filmes que elas vêem, as viagens que elas fazem, os restaurantes que elas frequentam. Pois então, homens, dá medo na gente que vocês tenham medo das exceções. O custo é caro para se ser algo além da chapinha e escova progressiva. E escrevo isso aqui, assumindo toda a mulherzinha que há dentro de mim e que transborda em lágrima a cada comédia romântica previsível. É, homens, chega de assumir a responsabilidade pelo resto das vidas da escolha de vocês. Escolham a mulher que amam pois não há nada maior que isso. Não tenham dúvidas, mulheres inteligentes são sim mais doidas, mais ciumentas, mais artistas. Mais corajoso do que assumir uma mulher incrível dessas, só assumindo uma que saia de casa todos os dias vestindo roupas tom pastel, diretamente do manequim da Gregory. Amena, parva. Ela e você.
jul26
Excelente estréia! Bem vinda!
Muito interessante. Talvez as “mulheres exceções” têm o azar de encontrar muitos covardes e por medo mesmo acabam se tornando normais… MAS NÃO SE TORNEM NORMAIS, POR FAVOR!
Não é à toa que sou sua mais fiel leitora!
bem vinda!!! mal chegou e já dilacera meu coração que chora em propagandas de margarina… rs Eu acho cada vez mais difícil não digo nem casar (pq isso me dá urticária) mas, amar mesmo. ás vezes, acho que a vida fica rindo da mianha cara pregando peças… qdo não tenho interesse, me prometem o céu e qdo estou disposta a me doar, caiu no inferno emocional… aiaiai… parece que a tal “alma gêmea” (tb não acredito muito nisso) está sempre caminhando em direção oposta, desencontro!!
Não tem muito a ver, mas o texto me fez lembrar do filme “O Sorriso de Mona Lisa”, com a Julia Roberts no papel principal. Ela é uma professora que luta contra o conservadorismo dos pais de suas alunas fazendo com que elas percebam que são donas de si. Não me lembro muito bem se era o caso deste filme – creio que sim -, mas penso que uma das coisas que mais motivam os homens a procurarem “as outras” é o próprio machismo das mulheres.
Não estou dizendo que a culpa é das mulheres. Estou dizendo que ainda há um bocado de mães que educam suas filhas para serem ótimas esposas, mães e donas de casa – como é o caso do filme. Ainda são poucas as que educam suas filhas para saírem pro mundo em busca de seus objetivos profissionais e pessoais. Por isso mesmo, a lógica de que os homens amam as loucas, mas casam com as outras vai perdurar por muitas e muitas gerações – até que as espécies de mães machistas entrem em extinção.
Ei Phill, tu tá me saindo um ótimo ‘desregrado’! Concordo contigo!
Phill Costa curtiu “Ei Phill, tu tá me saindo um ótimo ‘desregrado’!”