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Demarcação de território 3 Março 2008

Posted by Maria Bonita in Relações.
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Um fim de semana inteiro com os pais dele. Ótimo! Super divertido! A diferença é que desta vez eles se hospedaram na nossa casa.

fogãoCom o pai não tive dificuldades, já com a mãe…

… bem, eu tentei não mostrar falta de tato. No entanto, agi instintivamente, como se precisasse demarcar território. Nem eu mesma sabia que agiria assim!

A minha irritação começava quando ela pisava na minha cozinha! E o problema nem era o fato dela ter começado a passar esponja de aço no meu fogão (o que danifica o aço inoxidável!), ter desperdiçado diversos sachês de café tentando usar a cafeteira ou ter colocado os pratos de café-da-manhã na mesa para servir o jantar.

Morar junto = dividir tarefas
Tudo bem que afazeres domésticos nunca foram meu forte, nunca me interessaram. Aqui em casa a regra é: “ou fazemos juntos ou ficamos na bagunça juntos”. Fazemos compras e cozinhamos juntos, ele põe as roupas para lavar enquanto eu passo aspirador de pó pela casa e por aí vai. Quem tem mais tempo livre, faz mais.

cafeteiraPor mais que o namorado e eu dividamos todas as tarefas, o machismo acumulado no inconsciente coletivo por séculos acabou pesando nas minhas costas.

Passou pela minha cabeça que o objetivo dela era mostrar que eu não era boa dona-de-casa. É claro que ela não fez por mal, a mãe do namorado queria apenas ajudar. Mas era difícil aceitar uma ‘Amélia’ que não ‘amelia’ sequer na própria casa baixando no meu lar!

Embora dividamos as (ir)responsabilidades, costumo livrar a cara dele. Dessa vez foi impossível.

Ceninha
Estávamos na cozinha. Ela havia acabado de lavar a louça e eu estava secando. Dessa vez consegui limpar o fogão antes dela. Ela queria enxugar a pia e me perguntou:
- No Brasil existe paninho de pia?
- Sim. Porquê?
- É porque aqui eu não vejo nenhum.
- Ah é! Nós não temos, pode usar um pano de prato mesmo.
- Pano de prato????
- Sim, o seu filho não sabe a diferença entre um pano de prato e um de pia.

Da sala, o namorado que acompanhava a conversa gritou um ‘o quê?’ quase rindo, mas sem contestar.

E ela, sem conseguir esconder a surpresa e o embaraço, soltou:

- Eh… Muito bem! É assim que tem que ser Maria Bonita!

No resto do final de semana decidi não pisar na cozinha enquanto ela estivesse por lá para garantir a harmonia. Como resultado, ela parou de ameliar tanto e até deixou louça pra eu lavar!

ps1: Se for comentar, por favor evite o sinônimo de mãe de namorado/marido que começa com s.

ps2: Miss Iceberg e demais portuguesas, vocês conhecem o verbo ‘ameliar’ inspirado na música ‘Ai que saudades da Amélia’ (composta por Athaulfo Alves e Mário Lago)?

Comentários»

1. Chic Chiquita - 4 Março 2008

hahaha amei o post. Sabe que passei pela mesma situação? Mas não com a minha sogra, mas com a minha mãe. Ela competia com a lava-louças, usou esponja de aço no fogão – para loucura do genro – estranhava os ingredientes e receitas. Mas no final, tudo correu bem. Recebi elogios sobre a comida e a lava-louças ganhou uma fã. Só o fogão ficou um pouco magoado.

Ela só ainda se supreende com a divisão de tarefas. No bom sentido, claro.

2. simplesmenteli - 4 Março 2008

Tbém não gosto que se metam na arrumação da minha casa. Principalmente na cozinha! Mas tem um único cômodo que eu adoraria que alguém limpasse todo dia pra mim, se possível: o banheiro!
Aliás, taí uma boa dica para um futuro post. :)
Bjs!

3. Tarefas caseiras « Mulheridades - 4 Março 2008

[...] caseiras. Tags: Relações, Tarefas caseiras trackback Pegando embalo no post da Maria Bonita (http://mulheridades.wordpress.com/2008/03/03/demarcacao-de-territorio/) [...]

4. Ana - 9 Março 2008

sim, sim… mas se nós sofremos com as Mães, “eles” também sofrem com os nossos Pais… por isso fica ela por ela! E não verbo “ameliar” é-me desconhecido :)

5. Maria Bonita - 10 Março 2008

Curiosidade ou não, ouvi ‘ameliar’ pela primeira vez aqui na Holanda, de uma brasileira que mora em Roterdã… ‘Amélia não tinha menor vaidade, amélia é que era mulher de verdade’ que fazia tudo pelo seu homem, até passava fome por ele…
Agora… tenho dúvidas se ‘eles’ sofrem com nossos pais… o meu pai é um amor com meu namo, pelo menos! ;-)