Amor Rocky. Em busca do olho do tigre

Amor Rocky. Em busca do olho do tigre
Amor Rocky. Em busca do olho do tigre


O sábado amanhece esplendoroso e como sempre ela acorda antes dele. Resolveu fazer uma surpresa, fazer algo especial pro café da manhã e claro, servi-lo na cama. Romantismo incensado pela casa, ela parte pra cozinha e prepara o quitute preferido dele. Uma hora e meia depois, entra triunfal no quarto com uma bandeja modelo casal-apaixonado e com um orgulho estampado no rosto; ela era alguém que cultivava a paixão e o carinho de uma relação de quase 10 anos.

Ele acorda com um sorriso terno, agradece a gentileza e depois de saborear (e elogiar) a prenda culinária, diz que em alguns minutos vai pra sala. Ela sai com um sentimento vitorioso de dever cumprido.

Quebrando o encanto

Ele pega o jornal. Ela em frente ao computador. De repente, um úmido silêncio encharca o ambiente. As paredes se mancham de um musgo invisível. Quase afogada no instante, ela pergunta se há algo de errado. Um inusitado mau humor matinal seria a razão do silêncio. Ela insiste e encanto se quebra.

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Voz e atitude

Voz e atitude

Através do Global Hit conheci duas mulheres que passei a admirar.

  • Mamak Khadem é uma iraniana que foi enviada para os Estados Unidos pelos pais dois anos antes da revolução islâmica, no final dos anos 1970. No entanto, continuou se interessando pelo país natal, estudou música clássica iraniana e quebrou todas as regras: como mulher, canta em público, o que até pouco tempo era proibido no país dos ayatolás

Ouça o programa sobre Mamak Khadem.

  • Khaira Arby nasceu em Timbuktu e canta há 40 anos. Um dos seus temas é o direito das mulheres no país dela, Mali. Ela diz cantar sobre paz, amor e liberdade e ser contra a mutilação genital feminina, prática muito realizada na costa ocidental africana.

Ouça o programa sobre Khaira Arby

Vaidades e galanteios

Vaidades e galanteios

Nos últimos nove anos, enquanto meu coração esteve ocupado por alguém que representou muito para mim, nunca prestava atenção nos homens que encontrava pelo caminho. Eles nunca me atraíam o suficiente, sempre achava que tinha um príncipe em casa! Ok, de vez em quando dava umas paqueradinhas. Sou normal, embora lerdinha: se não fosse avisada nem percebia que estava sendo cantada.

Mas agora, que estou fisicamente separada e oficialmente casada, enquanto viajei a trabalho estava mais atenta. Compartilho aqui alguns comportamentos masculinos que me chamaram a atenção, mas vou logo avisando que cometo o pecado da generalização, baseado apenas em alguns poucos contatos…

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Cheiro de jenipapo

Cheiro de jenipapo

Ida
- Que cheirinho bom, que perfume a senhora está usando?
- Perfume? Eu?
- Cheirinho de jenipapo!
- Olha, moço… só passei repelente de insetos
- Mas a senhora está com um cheirinho tão bom, desde que a senhora entrou no carro eu estou sentindo. A senhora me dá licença?
O taxista segura o meu antebraço com as duas mãos, o eleva um pouco, abaixa a cabeça e aproxima seu nariz:
- Pois seu repelente tem cheiro de jenipapo, ô cheirinho bom!


Fim de tarde
- Quais são os sucos típicos da região que vocês têm?
- Cupuaçu, cajá, jenipapo…
- Quero experimentar o de jenipapo!
- Tem certeza, moça?, adverte um dos garçons
- É gostoso, moça! tranquiliza a garçonete
- Ok, vou tomar!
(estava mesmo era curiosa pra sentir o cheiro e comparar com o do repelente de insetos. De qualquer forma, gostei do suco)

Volta
- Acho que hoje nem vou jantar, acabei de tomar um suco de jenipapo. Me sinto alimentada! – puxo papo com o taxista da volta.
- É forte sim, tem ferro e é ótimo para curar anemia. Mas o cheiro, minha filha, eu não suporto, é horrível!

Desvendando a mente masculina II*

Desvendando a mente masculina II*

eu: Estou a fim de quebrar um ‘padrão’ na minha vida romântica…toda vez que me envolvo com alguém esqueço de mim mesma…

ele: Sei

eu: Acho que acabo ficando menos interessante porque só penso no fulano o tempo todo… queria ser mais independente emocionalmente…

ele: E quem não queria?

eu: Parece-me que vocês homens o são

ele: Só parece

eu: Como assim só parece?

ele: Essa coisa das diferenças entre homens e mulheres é cultural.Não existe de fato.

eu: Com certeza! Tem muito a ver com o que a sociedade nos impõe

ele: Isso! Então, eu tenho que parecer independente emocionalmente.
Logo, posso não ser. Entende? Mas, continue…

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O verbo sentir e sua efemeridade

O verbo sentir e sua efemeridade

O amor pode ser algo aleatório, transitório ou um verbo intransitivo. O meu amor, na verdade são “meus amores”, alguns compartilhados outros ficcionados em minha mente meus delírios, mas, nunca desmerecidos, porque o amor pode ser inventado ou experimentado a dois, sempre será amor. Eu já te amei, sabia?

 

Sonhava muito com esse menino, ficava perdida neste já tinha sido, mas, não foi na verdade. E voltamos a sonhar. Digo “voltamos”, era assim que ele me dizia, me lembrava, me queria, me sentia sem me tocar. Ele estava longe e me convidava… Fui para perto carregando nas mãos todos os delírios que ele havia me proposto, mas, não era bem isso.

 

Por horas acreditei. Por minutos longos o desejo entre nós dois era tão latente a ponto de me fazer sorrir dizendo a ele que isso não era comum, era prazer.

 

Aos poucos o que era real, foi me esbofeteando e o tempo tornou-se curto para nós, não cabia…

 

Diga-me meu bem, o que era?

 

NADA!  Era só o nada

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Desvendando a mente masculina I*

Desvendando a mente masculina I*

eu: Para alguns homens a vida é muito fácil. Eles podem desfrutar de alguns momentos na vida sem terem dez mil pensamentos que na minha cabeça se passam no momento que eu penso se devo ou não beijar alguém.

ele: É, eu também acho

eu: Quando um homem diz pra uma mulher: “ah, vamos só curtir a vida”. O que significa isso?

ele: Não são todos os homens que pensam assim. Há também homens que pensam: “ei, eu te acho muito legal, mas não estou a fim de me prender”. Quanto mais uma mulher quer prendê-lo, mais sufocado ele se sente. É um jogo psicológico. Se uma mulher deixa um homem livre, há uma grande chance de que ele siga com ela. É que o homem quer “deixar opções sexuais abertas”. Essa é a mente de um homem.

eu: Interessante

ele: Sabe o que eu digo, em linhas gerais? Vocês mulheres são perturbadas por sustentarem determinadas ilusões que não existem. Mulheres veem as coisas diferente. E o pior é que elas estão convencidas de que enxergam bem.

eu: Porque nós somos tão tontas?

ele: Porque vocês acreditam ter razão. É um círculo. Um homem honesto não é apreciado pelas mulheres, é um chato. Eu preciso mentir e vender ilusões. Aí eu sou interessante. E se eu não quero sexo com ela, então elas dizem: “Oh, você é gay!” Essa é minha experiência.

eu: Mas eu não acho que isso é válido para todas as mulheres…

ele: Para 99%. Mas eu não sou santo, claro.

eu: Não sei se concordo com tudo o que dise. Mas, de qualquer forma, seus pensamentos me ajudaram a tentar romper o círculo vicioso.

ele: Sei lá, você continua uma mulher…

*Baseado em bate-papo com o amigo-irmão R.H.

Entre cardigãs e bolivianos escravizados

Entre cardigãs e bolivianos escravizados

Na semana passada, a marca de “fast fashion” a espanhola Zara foi protagonista de um escândalo. Equipes de fiscalização trabalhistas flagraram em São Paulo oficinas que produziam as peças vendidas na marca, trabalhadores estrangeiros submetidos a condições quase que escravistas. A empresa se encontrava sob investigações da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) desde maio, quando na cidade de Campinas foram encontrados trabalhadores de oficina de costura em condições degradantes, a mesma também costurava calças para a Zara e em junho foi iniciada as investigações na capital. As vítimas aliciadas na Bolívia e Peru, com a promessa de emprego e crescimento no Brasil. Chegando ao país, eram submetidos há mais de 16 horas de trabalho em oficinas improvisadas, sem ventilação e recebendo entre R$250 à R$450, menos que um salário mínimo. Sendo que era deduzido de seus salários custos da viagem e alguns vales que se tornariam bolas de neve. Alguns destes trabalhadores são menores de idade. Contratações completamente ilegais, trabalho infantil e cerceamento de liberdade.

A Inditex grupo dono da Zara e outras empresas, responsabiliza sua maior fornecedora a AHA à contratação das oficinas. O desenvolvimento do produto é feito sob aprovação da matriz da Zara na Espanha, a intermediária (AHA) terceiriza os serviços de oficina, recolhi as peças, encaminha a lavanderia (também terceirizada) e depois de embaladas as peças são entregues a Zara.

A empresa intermediária AHA, declara prestar serviços a outras empresas e que repudia qualquer tipo de escravidão humana. Porém após a ação a conta das rescisões que totalizam mais de R$140mil foi paga pela mesma (AHA), a situação dos trabalhadores e as contribuições previdenciárias antes sonegadas, foram regularizadas.  Seria agora um ato de caridade para provar seu repúdio?

Para entendermos a margem de lucro, em uma das oficinas no momento da fiscalização era finalizada uma blusa da coleção primavera/verão. Em cada peça feita, a oficina recebia R$ 7. Os costureiros recebiam, em média R$ 2 por peça costurada. Após a ação,  uma equipe de reportagem foi até uma loja da Zara, e encontrou uma blusa semelhante, fabricada “originalmente” na Espanha, sendo vendida por R$ 139. Só não temos informações do valor que a intermediaria repassa essas peças à  Zara.

Ouvi muitas pessoas alegarem que as redes de “fast fashion” incitavam esse tipo de exploração para conseguir produzir roupas a baixo custo, detalhe, a Zara no Brasil é a mais cara do mundo. Sinceramente eu não tinha conhecimento de que a produção era realizada no Brasil, vide valor final das peças, que se justificava agregando a custos de importação. Com essa  informação que o produto é produzido por aqui,  vamos pensar no plausível e se acreditar que a empresa esteja de certa forma colaborando socialmente, gerando empregos.  Pós flagrantes a verdade é que ela está  sonegando impostos, trazendo imigrantes “hermanos” ilegalmente, escravizando, explorando crianças e vendendo uma blusinha que nos E.U.A você compra por US$8 à R$69,90, é uma piada.  Não existe missão empresarial e declaração de repudio que venha isentar a responsabilidade de qualquer uma das empresas  seja a Zara que “não sabia ” sobre a tercerização dos serviços ou  da fornecedora AHA que contrata oficinas e “desconhece” a ilegalidade da mesma.

Como consumidora não tenho remorso em continuar usando as peças que já comprei na Zara, como li em post´s pelo facebook de pessoas arrasadas, querendo cortar os pulsos . Mas quero obter maiores informações de como a peça “must to have” da estação chega até as vitrines. Quero que o meu ato de consumo, mais do que ser um “plus” aliviante da minha TPM,  sirva para ativar a economia gerando empregos e não alimentar o círculo vicioso do capitalismo, com seu abismo da desigualdade social, o consumo tem que ser inteligente.

Amor?…

Amor?…

Desde que me mudei para a Ásia que tenho sido confrontada com novas formas de relacionamento entre casais, baseadas em outros valores (defendidos por uns como menos hipócritas do que as Ocidentais).

A conversa surgiu na sequência de uma discussão em como os ocidentais do Norte a Europa, chegam ao limiar dos trinta anos (e diga-se de passagem são aqueles que a beleza natural não foi muito generosa), vão passar umas férias à Tailândia e… voilá descobrem o Amor! Comentava-se o facto de, num reality show chinês, daqueles em que ajudam a encontrar o Amor, a rapariguita, quando teve de escolher entre os finalistas candidatos a Príncipe Encantado, escolheu um chinês quando tinha a opção de um loirito (atenção que aqui ser loiro e branco ainda é uma “qualidade”, tal como inteligente, sentido de humor, etc), deu a seguinte resposta: “I’d rather cry in Rolls-Royce than laugh on a bicycle”.

A minha opinião foi “isto mais não é do que ser interesseira. Não há amor.” Um Canadiano defenfeu que estava a partir do pressuposto errado, pois estava a utilizar a definição “Ocidental” de Amor. Eu argumentei que não. Que achava que era puro interesse. No entanto, que poderia ser a base de qualquer casamento. Sem que houvesse qualquer julgamento de valor. Como qualquer contrato (casamento, pela sua natureza é um contrato) pode ser sustentado tendo variadíssimas bases (sendo que ambas as partes estejam de acordo), sejam eles o Amor, cartão de crédito, interesse, possibilidade de constituir família, entre outras. Se outras que não sejam o Amor funcionam para mim? Não. Mas poderão funcionar para outros. Claro que sim! Não lhe chamem é Amor!

A conversa evoluiu para um caso de um casal, ele Americano ela (se não me falha a memória) vietnamita. Ele dizia que somente ao fim de cinco anos de relacionamento tiveram a primeira discussão. E mesmo assim, comparado com a ex namorada italiana tinha sido uma pequena discussãozinha. A minha opinião: tudo depende da expectativa que se tem de uma relação. Se a base é a fuga à miséria, ou se a calma conjugal é “comprada” (seja com comida na mesa ou malas Louis Vuitton) não se pode exigir uma relação de igual para igual.

Posso dizer que tenho tido (muito mais que o que gostaria) discussões desta natureza, especialmente quando oiço “ele nunca irá encontrar uma mulher para casar, nem sequer tem casa ou carro” – o que me dá voltas ao estômago e, também que tenho questionado até que ponto o facto da não-emancipação da mulher Asiática (por opção) não as torna bonequinhas mimadas ao invés do que até agora julgava ser o caso de toda e qualquer mulher, vítima de séculos de discriminação e ter de lutar a pulso para ser tratada como igual.

Enfim, um tema a que voltarei com certeza, pois é algo que me tem mantido o pensamento  ocupado.

“Eles amam as loucas mas casam com as outras”

“Eles amam as loucas mas casam com as outras”

Já dizia Rita Lee. Doida, porra louca. Anos e anos de rock’n'roll correndo nas veias. Quem imagina essa mulher debaixo de véu e grinalda subindo no altar? Rita Lee, é verdade, toda mulher é meio Leila Diniz mas é hipocrisia negar que são as que tendem mais pra Amélia que chegam lá, exibindo e balançando o troféu, de pé, do pódio.  Papel passado e aliança no dedo. Mulheres rock’n'roll são distantes. Os homens se sentem atraídos por elas mas é bem verdade que há um pouco de medo. Criou-se então um grupo de mulheres, as exceções. A chance de uma ‘exceção’ se dar bem é diretamente proporcional ao tamanho de massa cefálica que o homem venha a ter. Ser exceção está diretamente ligado a ter o triplo de problema para achar o que chamam por aí de “alma gêmea”. E sou tão por fora do giro universal que nem em alma gêmea acredito. Ser exceção dá medo em nós, mulheres. Dá medo de ser obrigada a passar o resto dos tempos tricotando junto da tia. Claro que dá. Quer papo mais de mulherzinha do que esse? Isso não existe. É senso nacional. Melhor ainda, universal. Não há uma mulher nesse mundo chamado Terra sobre o qual estão os nossos pézinhos que não pense na palavra proibida. Casamento. Nem as mais independentes, nem as mais sonhadoras, nem as “exceções”.  As exceções só estão ali, inteligentíssimas e bem sucedidas porque estão desesperadas por amor. As músicas que elas ouvem, os filmes que elas vêem, as viagens que elas fazem, os restaurantes que elas frequentam. Pois então, homens, dá medo na gente que vocês tenham medo das exceções. O custo é caro para se ser algo além da chapinha e escova progressiva.  E escrevo isso aqui, assumindo toda a mulherzinha que há dentro de mim e que transborda em lágrima a cada comédia romântica previsível. É, homens, chega de assumir a responsabilidade pelo resto das vidas da escolha de vocês. Escolham a mulher que amam pois não há nada maior que isso. Não tenham dúvidas, mulheres inteligentes são sim mais doidas, mais ciumentas, mais artistas. Mais corajoso do que assumir uma mulher incrível dessas, só assumindo uma que saia de casa todos os dias vestindo roupas tom pastel, diretamente do manequim da Gregory. Amena, parva.  Ela e você.